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JulioRibeira
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Essa noite ela não pregou os olhos nem um minuto. Eu também não. A pobre da coitadinha gemeu a noite toda. Virava de um lado para o outro, suava feito uma condenada. Não sei como ela está agora. Vim aqui para ver se achava um médico para ir lá em casa consultar ela. Mas os médicos não podem ir. Se fosse o Doutor Gaspar eu sei que ele iria. Que Deus o tenha! Lá na Santa casa mandaram eu trazer a menina. Como eu vou conseguir fazer isso? Ela está fraca demais. Não temos dinheiro para lugar uma ambulância. Até pensei em pedir ajuda ao seu Toshio, aquele bondoso plantador de arroz. Quem sabe ele traz a menina. Mas agora que estou aqui Senhor, eu queria pedir, já que o Senhor está em todo lugar, o Senhor bem que podia ir até lá em casa e curar minha filha. Não custa nada. O Senhor sabe e pode... Os jovens estavam estranhando muito aquele jeito de rezar. Dois rapazes mais novos, não conseguindo segurar o riso, chegaram a sair da igreja – Onde já se viu uma pessoa rezar desse jeito. Até é falta de respeito falar assim com Jesus. Ela nem louvou ao Senhor, não recitou nenhum verso da Sagrada Escritura. Ela não sabe rezar. Com certeza, nunca fez uma experiência de Oração, e sua oração estava atrapalhando nosso grupo que estava indo tão bem- concluiu um dos rapazes que tinham saído. Dona Nazaré continuou com sua estranha oração: É verdade. O Senhor num instantinho podia ir lá em casa, curar a menina e já voltava. Não é difícil chegar em nossa casa. O Senhor pega a rodovia que vai para Aparecida do Norte, lá eu sei que o Senhor conhece bem. Na ponte de Santo Antônio o Senhor entra rumo Delfin Moreira, só que a hora que chegar na Água Limpa, bem em frente a fábrica de queijo, o Senhor vira pra esquerda, passa a ponte continua. Depois da ponte não vira para a direita não, lá vai para o Mosteiro de Serra Clara, minha casa fica na outra direção.