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rafael180
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Consideremos mais uma vez o feudalismo. A sociedade feudal era concebida como um organismo, no qual sacerdotes, guerreiros e trabalhadores desempenhavam funções complementares. Enquanto os sacerdotes se encarregavam de manter a comunicação da sociedade com Deus, procurando obter a sua graça, cabia aos trabalhadores produzir alimentos para todos, e aos guerreiros, cuidar da segurança e proteção geral. Apesar da interdependência funcional das três camadas sociais, havia entre elas uma hierarquia. No topo encontravam-se os sacerdotes (clero), abaixo os guerreiros (nobres) e mais abaixo os trabalhadores (camponeses). Essa hierarquia significava que, para as pessoas da época medieval, a finalidade última da vida era a salvação da alma. Portanto, nenhuma outra instituição era mais importante do que a Igreja, e os europeus viam a si mesmos, antes de mais nada, como cristãos.
Enquanto a vida espiritual era dominada pelo cristianismo, o mundo secular encontrava-se sob o domínio senhorial. Os guerreiros, que eram os nobres (senhores feudais), dominavam e exploravam os camponeses (servos), porém a relação entre uma camada e outra tinha um caráter pessoal e era regulada por deveres e obrigações mútuos, estabelecidos pela tradição. Os senhores tinham o direito de se apropriar do excedente produzido pelos servos e, por isso, eram a camada mais rica da sociedade. Essa condição de camada social mais rica também era um direito e não tinha relação com a habilidade econômica do senhor. Quanto aos servos, que viviam pobremente, sua condição não lhes permitia aspirar a uma vida melhor. Nenhuma pessoa tinha o direito de pretender viver melhor do que era permitido pela sua condição ou "status" social. Assim, o lugar de cada um na sociedade estava nitidamente demarcado por permissões e proibições e por direitos e obrigações.