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NeuliCoutinho


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Adentrar no gabinete para trabalhar e ser tomada pela visão de prateleiras lotadas de processos, com tarjas e capas das mais variadas cores, que lembram um arco-íris, permite que nesse simples perpassar de olhos sejam identificados os tipos de dor subjacente a cada lide, acionando o sentimento de solidariedade. Outra sensação é a de entrar no gabinete “clean”, de mesas limpas, brancas, apenas com duas telas de computador, sem a presença física de pilhas de processos, o que pode criar a falsa ideia de que está tudo em ordem, tudo arrumado, tudo julgado dentro do tempo razoável constitucionalmente estabelecido. Saem de cena toneladas de papel e entra uma tela de computador. A presença quase imperceptível dos processos virtuais, ocultos nos escaninhos eletrônicos do sistema informatizado do tribunal, não palpáveis e invisíveis aos olhos humanos, constitui uma realidade consolidada e que é estranhamente tocada pela evanescência do imaterial, como se de seres etéreos se tratasse e não de vidas reais, inseridas em conflitos, submersas em autos digitalizados. Ao contrário, o que se pretende é ativar intensa vigilância, para que não se retroceda na imprescindível jornada de humanização do Judiciário. É o fim do papel, mas não da cruel espera. No ponto de partida a virtualização dos processos, que, por força da máquina, são rapidamente enviados para os tribunais superiores. Contudo, no ponto de chegada nada mudou e são os mesmos seres humanos os incumbido de fazer a análise de cada lide. Esse fato inatacável leva a crer que a celeridade é parcialmente falsa, na medida em que o ministro continua sendo o único incumbido de julgar os processos que aportam em seu gabinete. Aplaude-se, com efeito, a adoção necessária e imperiosa de um instrumento moderno, como é a do processo eletrônico virtual. Julgar na velocidade do computador é um alvo que está além da capacidade humana.
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