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Léo sempre achou que a felicidade era como um eclipse: algo raro, que as pessoas esperavam a vida toda para ver e que durava apenas alguns minutos. Ele passava os dias focado nas provas da escola, nas preocupações do futuro e naquelas pequenas chatices do cotidiano que parecem gigantescas quando estamos de mau humor.
Até que, em uma terça-feira completamente comum, tudo mudou por causa de um tropeço.
Ele estava saindo da biblioteca, distraído com os fones de ouvido, quando o cadarço do seu tênis prendeu no degrau. O tombo não aconteceu, mas o malabarismo que Léo fez para se manter de pé foi tão ridículo que uma garota sentada no banco próximo começou a rir. Em vez de ficar vermelho de vergonha, Léo olhou para a própria pose de super-herói desajeitado e começou a rir também. Uma gargalhada leve, sincera, que parecia ter pressa para sair.
Naquele momento, enquanto recuperava o fôlego, ele percebeu algo intrigante. A gravidade da prova de matemática diminuiu, o céu cinzento pareceu um pouco mais bonito e até o peso da mochila sumiu por alguns instantes.
No fim das contas, Léo descobriu que a felicidade não era um destino final ou um evento raro, mas sim a lente que escolhemos usar para enxergar a beleza nos tropeços do caminho.